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novembro 23, 2006
AULAS DE SUBSITUIÇÃO
A nova moda, sempre que se fala em aulas de substituição, é dizer que só servem para os alunos jogarem às cartas, como se conhecêssemos todas as aulas de substituição do país. No entanto acredito que existem casos desses, o que me deixa bastante preocupado. Não fico preocupado com as criancinhas que coitadinhas em vez de irem para o recreio estão presas na sala (outro argumento muito usado), mas sim com a gritante falta de capacidade dos professores em leccionarem matérias que sirvam para o enriquecimento intelectual de um aluno. Outro argumento logo usado é o facto de professores de educação física não saberem dar aulas de matemática. Reparem em tão nobre exemplo, com tantas aulas de substituição que existem no país, os casos que se falam são dos professores de educação física a dar aulas de matemática, como se fossem os únicos casos no país. Tudo bem, vamos pensar apenas nesses casos em que os professores de educação física tem de substituir o professor de matemática. Qual seria o problema do professor de educação física dar aulas teóricas sobre a disciplina de educação física? Porque não dar aulas sobre os grandes exemplos mundiais do desporto, porque não escolher um desporto e estudar as suas regras? Enfim, tudo seria melhor do que jogar às cartas ou não?
Será que um professor de uma outra disciplina, na impossibilidade de leccionar a matéria do professor substituído, não pode naquela hora ganhar melhores alunos para a sua disciplina? A apatia de certos professores é que me deixa preocupado, como se apenas conseguissem inconscientemente (ou não) ver a parte negativa da coisa, ignorando que podem aproveitar todas as horas possíveis para que os alunos aprendam um pouco mais da sua disciplina, apesar de não ser esse o objectivo inicial das aulas de substituição, será sempre melhor do que jogar às cartas ou pintar as unhas.
Publicado por cachucho às novembro 23, 2006 07:31 PM
Comentários
Caro amigo,
O problema é que esta história das aulas de substituição não é nova. Alguns políticos iluminados lembraram-se de ir ver as boas práticas nos países nórdicos (Finlândia. Então resolveram aplicar essas práticas em Portugal. Esqueceram-se que esses países são países a sério, não são países "faz-de-conta" como Portugal. Nesses países tudo está devidamente planeado ao milimetro. Todos os professores sabem o que fazer e como fazer caso haja necessidade de substituir um colega. Em Portugal não. Primeiro decide-se que "sim senhor" é necessário implementar aulas de substituição, depois cada escola que se "desenrasque". Não há um planeamento de forma a fazer as "coisas" bem feitas.
Então chegam-se a esses limites: professores de disciplinas completamente diferentes substituem colegas, professores de outras turmas que não conhecem os alunos, etc. Assim não há qualidade nem motivação que resista.
Porque não criar um género de "professor de serviço", que esteja sempre disponível, dentro de cada uma das áreas e assim poder substituir a qualquer momento o colega que falta? Sabes porquê? Porque custa dinheiro. E como tudo o que este governo faz é para reduzir pura e simplesmente a despesa então a escola que reolva o problema.
E porque não ter um "feriado"? Já não se lembram de quando eram jovens e adoravam quando tinham um feriadito. É que trinta e tal horas por semana numa escola é muito tempo. E as restantes actividades (culturais, desportivas, de lazer, etc...)? Qual o espaço reservado para elas?
Uma boa educação não se limita apenas às aulas, antes pelo contrário.
Existe tanta coisa boa que se pode fazer nas aulas de substituição...Atém mesmo fazer um aluno fazer apenas aquilo que lhe apetece pode ser muito mais vantajoso do que ter uma aula de substituição.Há muita vida para além das aulas de substituição. Ou não?
Publicado por: MC às novembro 24, 2006 03:55 PM
MC, eu não disse que as aulas de substituição eram bem organizadas ou planeadas, o que me parece que é urgente é reivindicar o planeamento das aulas de substituição e não o seu fim. O que me parece grave é que mesmo os professores sendo doutras áreas não conseguirem dar outro tipo de matérias nessas aulas. Caramba, tudo será melhor do que jogar às cartas.
Disseste: “E porque não ter um "feriado"? Já não se lembram de quando eram jovens e adoravam quando tinham um feriadito” MC eu sou jovem , acabei a universidade à “relativamente”pouco tempo e ainda não cheguei à barreira psicológica dos 30, mas estou muito perto
“E as restantes actividades (culturais, desportivas, de lazer, etc...)? Qual o espaço reservado para elas?” Muito bem, concordo contigo. Também acho que sejam importantes e que deveriam ser mais incentivadas. Em relação ao aluno fazer o que lhe apetece poder ser muito mais vantajoso do que as ditas aulas, aí já não concordo muito contigo. Toda a gente sabe como são os alunos numa certa idade….
Publicado por: cachucho às novembro 27, 2006 07:05 PM