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novembro 17, 2006

DESCULPEM LÁ BATER NA MESMA TECLA...

... mas ao ler isto : "Segundo as alterações da tutela, as faltas dadas por motivo de doença do docente ou de filhos maiores de dez anos já não serão penalizadas para efeitos de avaliação de desempenho e progressão na carreira, como previa a proposta anterior, e a integração dos professores do actual 10º escalão na categoria de professor titular deixará de estar dependente da existência de vagas.

Apesar de se congratularem com estas mudanças, as organizações sindicais garantiram hoje que "não há qualquer possibilidade de acordo" com o ministério, uma vez que se mantêm os aspectos mais contestados como a divisão da carreira em duas categorias, a introdução de quotas para aceder à mais elevada e a avaliação de desempenho dependente de critérios como os resultados escolares e as taxas de abandono dos alunos." in Jornal o Público.

não posso deixar de perguntar: Qual o problema de dividir a carreira em duas categorias, qual o problema de a avaliação de desempenho depender de critérios como os resultados escolares e as taxas de abandono dos alunos, e porque não dizer, apesar de ser o ponto mais discutível, qual o problema de existirem quotas para se aceder à categoria mais elevada? As empresas não tem quotas de progressão dos seus colaboradores? Caramba, expliquem-me qual é o problema destes três pontos, para quererem a demissão da ministra e, estou a dizer isto sem qualquer ironia, quero simplesmente que me expliquem, ou então que através de bons argumentos me mostrem que estou a ver um filme diferente do vosso.

Publicado por cachucho às novembro 17, 2006 08:47 PM

Comentários

A questão é simples: para haver duas categorias de professores deveria de haver dois conteúdos funcionais distintos, um para cada.Quem passasse do primeiro para o segundo deixaria de fazer determinada coisa e passaria a fazer outra. Ora um professor é, por natureza, alguém que "ministra aulas", esse é o conteúdo funcional essencial. Tudo o mais (funções de coordenação, direcção de turma, gestão de tarefas, etc) decorre desse conteúdo funcional base («dar aulas»), é uma extensão natural dele.

Ora a proposta da Ministra não tem isto em conta. Os professores titulares passariam a desempenhar os tais trabalhos extras aulas, como se dar aulas fosse uma espécie de trabalho de soldado básico e ser "coordenador de departamento" ou "director de turma" fosse trabalho de brigadeiro ou general.

«Dar aulas» é o conteúdo funcional mais nobre do professor. Ora a proposta da ministra deprecia e desvaloriza esse trabalho, dando-o aos professores do escalão bais baixo. E empola as outras tarefas, dando-lhes um peso que significará uma maior burocratização de toda a rotina escolar.

Acho lamentável duas coisas:

1ª Os sindicatos não foram capazes de explicar isto à opinião pública.
2º A Ministra não apresentou, em paralelo com a proposta de novo Estatuto da Carreira, um modelo de funcionamento de "escola-já-com-os-novos-tipos-de-professor.

Estou convencido que este novo estatuto vai criar graves distorções no quotidiano escolar, o que não beneficiará o ensino.

Sem querer usar um argumento de autoridade ( que não tenho), ainda assim digo que tenho 35 anos de serviço numa Escola do Ens. Básico C+S, portanto não falo de cor.

Obrigado pela paciência de ler.

Publicado por: J.Moedas Duarte às novembro 24, 2006 01:38 AM

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