« O DESERTO DA MARGEM SUL | Entrada | CONDUZO TÃO BEM... SÓ O ESTACIONAMENTO É QUE NÃO É O MEU FORTE... »

maio 25, 2007

SAI UMA OTA FRESQUINHA

Ota: a melhor solução Para os autores, a construção do novo aeroporto na Ota é a melhor opção em termos de desenvolvimento e ordenamento do território Jorge Gaspar e Manuel Porto

Não pode deixar de suscitar enorme perplexidade que, na discussão em curso sobre a localização do novo aeroporto de Lisboa, apenas seja dado relevo aos alegados custos de construção (sendo só cerca de 10 % o encargo do Estado português) e a dificuldades técnicas (que não são sentidas pelos responsáveis…). Nunca ou quase nunca se refere a localização dos utilizadores do aeroporto e a articulação deste com os demais modos de transporte. Trata-se de uma perspectiva fora do tempo e do espaço, que ‘desconhece’ que num projecto desta natureza têm de ser avaliados os custos e os benefícios, sociais, económicos e financeiros. Um aeroporto como aquele de que Portugal necessita deverá servir uma estratégia de desenvolvimento e de ordenamento do território nacional. Ora, a localização do novo aeroporto na Ota enquadra-se no Programa Nacional de Política de Ordenamento do Território, instrumento de desenvolvimento territorial aprovado pelo Conselho de Ministros e, na generalidade, pela Assembleia da República. Este Programa configura uma estratégia que também informou e foi informada pelo principal instrumento de desenvolvimento de que o país dispõe para o médio prazo: o QREN. A base do desenvolvimento de qualquer país ou região é constituída antes de mais pela sua população: o capital humano. E este está em 85% a norte do Tejo — com a localização da Ota próxima do seu centro de gravidade. É também a norte do Tejo que se encontra o maior potencial de desenvolvimento empresarial. O aeroporto na Ota aproveita a proximidade (a ‘intercepção’) dos principais eixos rodoviários e ferroviários: auto-estrada Lisboa-Porto, IC11, IP6, ligações ferroviárias ao Norte, a Oeste, a Leste e a Sul, incluindo a alta velocidade. Com a paragem de todos os comboios de passageiros na aerogare da Ota, há uma frequência máxima de ligações a Lisboa e ao resto da Região Metropolitana Atlântica, o que permite servir uma população superior a 8 milhões de habitantes num raio de duas horas, através do recurso ao comboio de alta velocidade e ao automóvel. A localização na principal zona logística do país, a proximidade de Espanha, o descongestionamento da área envolvente, a disponibilidade de terrenos com baixo valor agrícola e as excelentes acessibilidades terrestres, nacionais e internacionais, são factores decisivos para a atracção de actividades económicas que, actualmente, preferem localizações em espaços europeus mais centrais. O novo aeroporto será, pois, um importante instrumento de valorização da base económica do país, reforçando a sua competitividade. Algum custo mais elevado da sua construção terá que ser confrontado com os ganhos para o país. De resto, ainda não está provado que os valores agregados para todas as infra-estruturas associadas ao aeroporto sejam superiores no caso da Ota. Estando mais de 92 % dos utilizadores do aeroporto de Lisboa a norte do Tejo, como entender que sejam forçados a portagens e a congestionamentos, inevitáveis a determinadas horas do dia. O aeroporto de Lisboa na península de Setúbal, além de excêntrico relativamente à procura, iria acentuar a milenária tendência de localizar na margem sul as infra-estruturas de apoio à margem norte. Os impactes negativos não se reflectiriam apenas na área imediata da infra-estrutura aeroportuária, pois iriam precipitar a desqualificação ambiental, acelerando a especulação fundiária numa vastíssima área, muito sensível e com um elevado potencial agrícola, florestal e turístico. São incontestavelmente menores os impactos negativos na zona da Ota. E o Alentejo? Sobre as perspectivas de desenvolvimento para o Alentejo existem planos recentes e projectos em curso. Decorrem de estratégias que não passam pela construção de um aeroporto internacional na península de Setúbal. No âmbito das infra-estruturas de transportes avultam a valorização do porto de Sines, o aproveitamento das múltiplas valências do aeroporto de Beja e as novas ligações ferroviárias: Sines-Évora-Estremoz/Borba/VilaViçosa-Elvas-Badajoz. O único domínio que poderia obter alguma vantagem de um aeroporto na península de Setúbal seria o turismo da costa alentejana. Mas que turismo? Um turismo de massas desqualificado. O Alentejo terá toda a vantagem em exigir investimentos que mais directamente influenciem o desenvolvimento da região.

Univ. Lisboa, Univ. Coimbra

in Expresso 12 de Maio

Onde é que eu ouvi isto?
Já sei que me podem mostrar opiniões contrárias. Sinceramente estou a borrifar-me para a localização do aeroporto, desde que não seja ao lado da minha casa, no entanto gostaria de saber se algum dia existirá consenso para a construção do famoso aeroporto. Depois de mais de cem estudos para a OTA há quem defenda novos estudos para localizações alternativas. Até quando vamos andar nisto? Um dia são os pássaros, outro dia são os ventos, outro dia são os transportes, deserto, pontes, passageiros e turismo. Por mim construía o Aeroporto em Espanha, em caso de catástrofe, sempre lixávamos os vizinhos. Enfim...

Publicado por cachucho às maio 25, 2007 08:17 PM

Trackback pings

TrackBack URL para esta entrada:
http://enresinados.weblog.com.pt/privado/tztracke.cgi/156989

Comentários

Estou totalmente de acordo. E acho que a nossa voz de concordância é que deveria ser ouvida, e não a voz de alguns, poucos, elitistas e políticos de meia tigela que aproveitam-se desta e daquela maleita...

Publicado por: Conde da Vila às maio 28, 2007 09:55 AM

Comente




Recordar-me?