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junho 22, 2007

MORRER A TRABALHAR

O caso é simples. Manuela Estanqueiro doente de leucemia foi condenada pela junta médica a trabalhar até há morte . Por coincidência, Manuela, também era professora, tal como aquele outro senhor humorista sócio encartado de um partido, condenado por dizer piadinhas a respeito do primeiro ministro ou da família deste.
Ao senhor humorista o Estado levantou um processo e, logo em sua defesa se levantaram as vozes indignadas de toda uma oposição. Entretanto e sem que se fizessem muitas ondas Manuela Estanqueiro foi a enterrar.

Eu inocente e parvo continuo esperançadamente há espera de ver o líder da oposição ou qualquer deputado da assembleia da república a questionar o governo a respeito deste e de outros casos vergonhosos que todos sabemos se irem veloz e vergonhosamente multiplicando . Eu continuo há espera que alguém pergunte em local adequado como é possível que aquela mulher com uma doença mortal e altamente incapacitante tenha sido condenada a trabalhar até que a morte a levasse.

Aos senhores que são médicos e , que fazem equipa nessa tal junta médica ,gostaria de lhes recordar que ao tomarem em consciência a decisão que tomaram ,roubaram a esta mulher uma série de regalias a que tinha direito, roubaram-lhe o direito de poder usufruir dos descontos que fez ao longo de uma vida, roubaram-lhe o descanso para o qual já havia pago e , obrigaram-na a um sofrimento suplementar do qual apenas eles, senhores médicos avaliadores, são responsáveis.

Penso que neste país não existirá ninguém que não saiba o que é uma leucemia, penso que serão poucos aqueles que não tenham conhecimento do sofrimento provocado por esta terrível doença, penso que mesmo o mais distraído dos cidadãos comuns tenha consciência das mazelas definitivas provocadas pelos tratamentos a que estes doentes estão sujeitos. Manuela tinha 63 anos, faltavam-lhe dois anos para a reforma e apesar de tudo isto foram-lhe roubados os direitos por si já pagos.

Do Estado nem uma palavra ouvimos , nenhum inquérito foi aberto para se apurar a vergonhosa injustiça de que esta mulher foi alvo, não ouvi, nem li até hoje, que alguém tenha questionado o profissionalismo destes médicos avaliadores. Da oposição por vezes tão inquieta com assuntos de terceira ordem, nem um voto de pesar , nem tão pouco ouvi a assembleia da republica a questionar-se a respeito da possibilidade de estas atrocidades agora mediatizadas poderem fazer parte de um enorme iceberg de injustiças do qual este caso é apenas a parte visível.

Para os médicos responsáveis por este caso gostaria de lhes deixar um pedido. Já que por motivos estranhos ninguém os demite, demitam-se os senhores, vão trabalhar para um local onde não estraguem a vida às pessoas, vão salvar vidas que foi para isso que estudaram.

Publicado por Frogas às junho 22, 2007 07:37 PM

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Comentários

O povo português está desgraçádo,aguentou 48 anos de salazarismo com tudo o que isso implicou de miséria,privações,injustíças e infelismente para alguns horríveis torturas,passadas mais de 3 décadas aí estão elas outra vez,a ignorância ,a prepotência,a estupidez,mas agora é bem mais perigoso,sobe a capa de uma pretensa democracia e eventualmente protegidos pela lei.Á herança do pequeno déspota português é muito dificil fugir.

Publicado por: roxyromeo às junho 23, 2007 11:55 AM

Continuo a concordar com o essencial da tua forma de ver este país . Infelizmente e para desgosto de ambos e, provavelmente de muitos mais portugueses, pareces estar repleto de razão .
(Para quando a reabertura do teu sitio de conversas ?)

Publicado por: frogas às junho 23, 2007 02:13 PM

Perguntas bem,eu também me ponho hoje essa questão da qual não tenho dúvida na resposta,já não há mais lugar na nossa sociedade para pequenos projectos de indole cultural ,como aquele que eu quis implementar,era uma utopia,hoje todos os projectos tem que ser altamente lucrativos para para poderes pagar a todas entidades que te caiem em cima logo que crias o mais pequeno negócio.A Sociedade portuguesa está asfixiada e uma sociedade asfixiada não vai a lado nenhum.

Publicado por: roxyromeo às junho 26, 2007 12:05 AM

Não partilho da vossa ideia tão pessimista. Este caso nunca devia ter acontecido, isso ninguém mete em causa, agora é preciso que se leia bem que quando lhe consideraram apta para trabalhar ainda não se sabia que tinha leucemia, nem a própria sabia.

fora deste caso desta senhora que faleceu, gostaria de dizer que não acho que o sistema funcione assim tão mal. também acho que para um sistema de segurança social funcionar tem de haver pessoas a trabalhar por mais tempo, é uma das condições para mantermos o sistema actual que conhecemos, se assim não for, não se podem fazer o milagre da multiplicação dos bens. Todos sabemos que cada vez mais existem pessoas a querer dar a volta ao sistema para se aposentarem mais cedo, isso é outro facto que não se pode negar, agora a questão é saber preparar quem avalia estes casos para conseguir separar o trigo do joio, o problema é que nem sempre isso é fácil.

Outra questão que tenho estado para falar e que não tenho tido tempo é o sistema nacional de saude. É curioso que em Portugal se discuta cada vez mais a privatização do sistema e nos EUA onde sistema é privado desde sempre, comecem a aparecer cada vez mais defensores de um sistema nacional de saúde. Basta espreitar o novo documentário do michael moore, mas esta questão já não tem nada a ver com este post.

Publicado por: cachucho às junho 26, 2007 09:53 PM

Docente faleceu no início deste mês
Sindicato processa Estado por obrigar professora com leucemia a voltar ao trabalho
14.06.2007 - 15h57 Lusa

O Sindicato de Professores da Zona Centro (SPZCentro) anunciou hoje que vai processar o Estado "por atentado à dignidade humana", por ter obrigado a voltar ao serviço uma professora com leucemia, que veio depois a morrer.
Em comunicado, o SPZCentro anuncia que está a preparar "uma acção judicial contra o Estado por condução intolerável e atentado à dignidade da condição humana no caso Manuela Estanqueiro". "O SPZCentro apoiou desde o início as pretensões da sua associada tendo enviado vários relatórios médicos à Caixa Geral de Aposentações e, neste momento considera levar o caso até às últimas consequências", afirma o presidente daquele sindicato, José Ricardo.

Manuela Estanqueiro, professora da EB 2/3 de Cacia, em Aveiro, faleceu no dia 2 de Junho, vítima de leucemia, depois de ter sido considerada apta para o exercício de funções, o que a obrigou a voltar à escola para não perder o vencimento.

Segundo o sindicato, Manuela Estanqueiro estava à espera da reforma, depois de há um ano lhe ter sido diagnosticada uma leucemia.

No Verão de 2006, a docente foi presente a uma junta médica da Caixa Geral de Aposentações (CGA) e, "inexplicavelmente, foi considerada apta para o exercício de funções".

Apesar de um atestado médico passado pela Junta Médica da Direcção Regional de Educação do Centro (DREC), a professora de Cacia foi obrigada a regressar à escola porque a decisão da junta médica da CGA se sobrepôs à da DREC.

Um despacho da CGA, de que recorreu, negava-lhe a aposentação por "não se encontrar absoluta e permanentemente incapaz para o exercício das suas funções" e obrigava-a a regressar ao serviço. Teve de cumprir 31 dias na escola para poder voltar a meter atestado médico, sob pena de perder o vencimento.

A professora, de 63 anos de idade e 30 de serviço, acabou por conseguir a sua aposentação uma semana antes de falecer, no Hospital de Aveiro, para onde foi transferida em fase terminal após ter dado entrada nos Hospitais da Universidade de Coimbra dias depois de ter sido forçada a regressar ao serviço.
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Publicado por: Anonymous às junho 28, 2007 06:08 PM

Já não me recordo de que jornal é que retirei o texto que compõe o comentário anterio,r mas como podes ver cachucho não sou o único a pensar de que algo vai muito mal

Publicado por: frogas às junho 28, 2007 06:17 PM

Há de facto aqui um senhor que não se esclareceu o suficiente..., a minha mãe requereu a aposentação sem saber qual a doença que tinha, embora já com os sintomas, mas, quando foi presente à Junta Médica da Caixa Geral de Aposentações, já tinha ido a várias Juntas Médicas da DREC, onde foi comprovada a doença através de relatório do Hospital da Universidade e após o internamento para quimioterapia.

A minha mãe foi careca à junta médica.
Completamente sem forças!!!

Esse comentador anda mesmo mal informado!!!

Publicado por: Teresa Silva (a filha) às setembro 18, 2007 12:58 AM

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